Mulheres muitas vezes posam de vítimas, mas em muitos casos elas são o que chamo de 'vítimas conscientes' ou seja, sabem onde estão se enviando. Sendo assim, a mulher é vítima consciente se ela sabe que o individuo é um cafajeste e decide se envolver com ele. A mulher somente se torna vítima inconsciente quando ela não sabe que o individuo é um cafajeste. Sendo assim, as vítimas de cafajestes são as mulheres que são vítimas inconscientes ou seja, não sabem com quem estão se envolvendo.
O cafajeste sincero não obriga a mulher estar com ele. É a mulher que
insiste, que não entrega os pontos, não dá o braço a torcer e acha que
desistindo da relação estará deixando para trás aquele que poderia ser o homem
da sua vida. É a mulher que sozinha põe a mão no fogo uma, duas, três vezes como se
tentasse se acostumar com a dor.
O cafajeste desonesto não diz pra mulher que é cafajeste. Ele deixa as coisas indo até que a mulher queira algo sério, e então ele mostra quem realmente é. O canalha se aproveita da mulher de diversas formas, tirando dinheiro, humilhando e em muitos casos escravizando em uma relação abusiva. Eis o relato de uma vítima consciente:
Não
adianta negar. A maioria de nós, mulheres, já chorou pitangas (e todas as
outras frutas) por causa de um cafajeste. E eu, apesar de parecer bem
espertinha e dar uma de rainha-do-sabe-tudo, não fico atrás, não.
Perdi as contas de
quantas noites eu passei em claro, seja soluçando de tanto chorar ou afogando
as minhas mágoas em algumas doses de vodca, como se o álcool pudesse
esterilizar as feridas do meu pobre coração.
E hoje, passado
algum tempo desde que abandonei os relacionamentos que transformavam a minha
vida em verdadeiros dramalhões mexicanos, percebi que aqueles caras não me
ensinaram somente a chorar sem borrar o rímel; ou a tirar selfies super
produzida para mostrar que estava feliz, enquanto forçava um sorriso que se
transformava em choro com o toque de uma pena; ou que comida se transformava
facilmente no meu melhor amigo e pior inimigo.
Os cafajestes te
ensinam que, por mais que você seja a melhor namorada, a mais compreensiva,
companheira e a que topa tudo na cama, se o cara é do tipo que trai, você nunca
será suficiente. Não porque você não é boa, talvez você seja boa até demais.
Mas, porque ele mesmo não se basta.
Uns não querem
assumir um relacionamento sério, mas esquecem de te contar esse pequeno
detalhe. E você só descobre quando essa é a desculpa que ele usa para
justificar o desrespeito. Outros, sofrem da Síndrome do Preciso Provar: provar
mulheres diferentes, provar pros amigos que eles continuam sendo garanhões e
provar para eles mesmos que podem ter a mulher que quiserem. E tem aquele que
trai só porque sim. Porque se acha no direito de fazer o que bem entender com o
bilau que possui.
Aprendi que a
maioria dos homens que me traíram tinham inseguranças maiores do que as minhas.
E, apesar de eu ter saído dos relacionamentos me sentindo um lixo, aprendi,
também, que ao forçar a barra e tentar acreditar em quem só me machucava não me
posicionava em uma categoria muito diferente das mulheres que se automutilam.
Eu sangrava, sarava e dava a minha cara – e a alma – ao tapa. Uma espécie de
masoquismo disfarçado de “eu era cega”. Mas eu não era.
O cafajeste não te obriga a estar com ele. É você que
insiste, que não entrega os pontos, não dá o braço a torcer e acha que
desistindo da relação estará deixando para trás aquele que poderia ser o homem
da sua vida. É você que sozinha põe a mão no fogo uma, duas, três vezes como se
tentasse se acostumar com a dor.
O cafajeste nem
sempre está fingindo te amar. Alguns amam sem nem saber que aquilo é amor. E se
desesperam quando você resolve jogar a toalha. Porque eles também odeiam
perder. E sofrem.
É nessa hora que a
gente se divide entre o “quero que ele vá pro inferno” e o “mas ele parece
mesmo arrependido, talvez eu devesse acreditar”. E você não sabe se deita na
cama em posição fetal, fecha os olhos bem forte e espera alguém vir cortar o
cordão umbilical com o qual você alimentava um relacionamento que só existia
porque você o nutria, ou se vai para a rua se jogar nos braços do primeiro que
aparecer. Como se uma noite na cama com um desconhecido fosse mudar a sua
convicção de que os homens não são de marte, ao contrário do que dizem, mas
mereciam sim, serem mandados para lá…
Os homens
cafajestes nem sempre têm a intenção de te magoar – ainda que tenham
despedaçado o seu coração com a habilidade de um açougueiro. Os cafajestes
também se arrependem. Alguns se esquecem que se arrependeram com a mesma
velocidade com a qual cometem os erros. E seguem errando… Porque não importa
quantas mulheres incríveis ele há de conhecer. Ele vai continuar sendo
cafajeste, até se cansar da vida bandida e decidir que é hora de mudar. Ou
não.
E você aprende que
esquecer um cafajeste dói em dobro. Pois você precisa esquecer não só o cara
que te magoou, mas também aquele que vivia nos seus sonhos, o namorado
perfeito, o cara que nunca existiu. Mas você o esquece, dá a volta por cima e,
o mais importante: passa a reconhecer de longe quando um outro cafajeste se
aproxima. E pode escolher entre estar sozinha ou viver novamente um amor
bandido.
Um dia você decide
que é chegada a hora de parar de brincar com fogo. Que você merece mais. Você
aprende a reconstruir a sua auto-estima quando entende que os erros dele não
foram causados por falhas suas e que estar sozinha ou ter alguém que te
respeite vale muito mais do que insistir em um relacionamento fadado ao
fracasso.


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